Jan 28
postado por: Ique

Idas e Vindas.

Trilha:

Hoje uma mulher perguntou:

“Ique,

qual é o problema dos homens?”.

 

Ao tentar responder, me lembrei de uma história.

Com 5 anos de idade,

chutei o pé da cama e comecei a chorar.

Meu tio gritou:

“Para de chorar! Homem não chora”.

Fui para o quarto e continuei a chorar.

Com 13 anos,

queria que a Ana Carolina gostasse de mim.

Mas, nessa idade,

as meninas não gostam de meninos como eu,

que são empurrados dentro do lixo

ou com apelidos tipo:

“Garrafinha”

Então, sem saber o que fazer,

escrevi a minha primeira carta de amor,

e deixei dentro do caderno da Ana Carolina.

No final da aula,

vi a carta amassada dentro do lixo.

Meu amigo disse:

“Meninas não gostam dessas bobagens”

Peguei a carta e fui para a casa

e continuei a escrever.

Com 18 anos,

fui pela primeira vez a uma balada.

Meu amigo disse:

“Vamos pegar uma cerveja.”

Fui até o bar e pedi uma Coca-Cola.

Meus amigos se afastaram e começaram

a ficar com várias mulheres, das quais eles não se

lembram do rosto algum tempo depois.

Fiquei sozinho no canto da festa,

olhando para uma garota.

Meu amigo disse:

“Vai buscar uma cerveja! Fique bêbado!”

Fui até o bar e pedi outra Coca-Cola.

Na volta,

parei ao lado da garota

para quem eu estava olhando e disse:

“O seu sorriso e o jeito como você dança são lindos.

Não quero atrapalhar a sua noite, mas,

uma vez ou outra,

você pode olhar pra mim e sorrir?”.

E voltei para o canto da festa.

Nunca mais vou me esquecer daquele olhar,

tão forte que ninguém pode se meter no meio.

Nunca mais vou me esquecer daquele rosto

ou daquele sorriso,

enquanto tocava uma música que eu adorava.

Nem o cheiro daquele cabelo.

Nunca vou esquecer das vezes

em que ela olhou e sorriu.

Com 20 anos,

entrei na universidade.

Meu amigo disse:

“Psicologia é curso de gay!”.

Nesse curso,

amei uma mulher que me amou.

Fiz amigos que hoje são meus irmãos.

Três anos depois larguei o curso.

Achei que nunca poderia ajudar alguém.

Com 25 anos e sem dinheiro,

comprei um anel sem brilho.

Pedi minha namorada em casamento.

Mesmo sendo o anel mais honesto e sincero,

ela não aceitou.

Meu amigo disse:

“Mulher não gosta de pobre”

Guardei o anel.

Com 26 anos,

meu amigo disse:

“Eu amo a minha namorada.

Mas amo ser solteiro também.

É foda pensar com 2 cabeças”.

Um mês depois,

a namorada descobriu a traição dele.

Ele me ligou chorando:

“Ique, ela terminou comigo.

Não consigo viver sem ela.

O que eu faço?”.

Respondi:

“Não me leve a mal,

mas por que você não pergunta para a sua outra cabeça?”.

Ele tentou voltar,

mas ela não quis.

Ela sabe que não é a cabeça que lida com o amor.

É o coração.

Com 27 anos,

fui ao cinema com uma garota.

No final do filme,

ela olhou pra mim e sussurrou no meu ouvido:

“É lindo um homem que chora”

Depois do filme,

a atuação dela na cama mereceu  o Oscar.

Com 30 anos,

saí para uma festa.

Fui até o bar e uma mulher para ao meu lado

e perguntou:

“O que é isso no seu copo?”

Respondi:

“Dois dedos de Coca-Cola,

uma pedra de gelo

e uma fatia de limão”

Ela riu para mim e meu coração acelerou.

Ela não era a mais atraente da festa,

Nem a mais bonita entre as amigas.

Ela era uma mulher que sorria.

E aquele sorriso me fez sentir,

que todas as coisas ao redor não eram mais importantes.

Com 31 anos,

uma amiga disse:

“Nunca ganhei uma joia”

No outro dia,

segurei a mão dela

e coloquei o anel mais honesto e sincero em seu dedo.

Ela sorriu e disse:

“Eu aceito”

Com 33 anos,

escrevi a segunda carta de amor.

Entreguei para o meu pai.

Ele começou a chorar.

Mas isso é a minha história.

Você não quer uma história,

queria uma resposta.

O problema dos homens

é que alguns seguem regras.

Outros,

o coração.

 

 

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Seriado: Californication